Que eu poderia fazer por voce? Mas que coisas voce iria fazer por mim? Quais as garantias de que isso será verdadeiro, seja o que seja? Se duvido até de qualquer ódio, ou para ser mais claro, tenho duvidado de tudo e esse ódio é o alvo mais fácil de duvidar. Mas falar sobre isso soa tao estranho e desconfortável para mim. E talvez seja melhor que tais coisas estejam em seus devidos lugares, no lugar mais profundo de minha mente, num abismo, numa escuridão natural feita para a minha proteção. Ou talvez todo e qualquer mecanismo disso somente me leve a uma completa e inevitável loucura, como que cada passo e cada detalhe seja de uma perfeita contribuição para uma total auto destruição, cálculos e mais cálculos; um resultado seco e cruel, tão vazio como tudo ao seu redor é, como toda a pressão infinita de uma mancha infinita, cinzenta e de sons terríveis, mas que simultaneamente todo o caos seja de uma beleza que tua pele e teu coração seja uma vitima perfeita, uma sincronia tão perfeita como os detalhes que causam essa loucura, essa obsessão, esse fim, essa tragedia, a intensidade natural de perturbações e impulsos nervosos. Um doentio urbano, frio, puramente sem vida tal como é.
segunda-feira, 10 de março de 2014
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Erro.
Podia escutar os próprios passos,
o som de suas sapatilhas no concreto cinzento da calçada. Ainda restavam seis quarteirões
para chegar até o metrô. Andava sem pressa, como se não se importasse com o
tempo, horários de ida e chegada... Se chegaria ou não atrasado num lugar que
se pode chamar de importante. Entretanto, ainda assim caminhava para se chegar
lá, como se estivesse sendo sugado por um campo magnético, como se seus nervos
estivessem agindo de acordo com alguma programação, como se não estivesse sendo
ele mesmo o dono daquele corpo, ou talvez até da própria mente...
E repentinamente sentiu uma
enorme dor de cabeça, pensou que desmaiaria ali mesmo. Tonturas, náuseas...
Imaginava-se caindo na calçada. Os joelhos, depois as mãos pálidas e em seguida
a cabeça, um ultimo tiro para o abate, mas antes disso conseguiu ver o
assassino, e ele não tinha rosto, nem nome... Era apenas toda aquela multidão
de transeuntes que pareciam agora terríveis sombras de um pesadelo. E sentia
tudo o que possuía, não se sabe exatamente que coisas, ser absorvido por todos
os ângulos, cada um tendo ali a sua parte em uma separação desordenada. E em seguidamente o corpo ao chão, o rompimento da consciência... As pessoas se
aproximaram do morto após o notarem ali no chão, chamaram uma ambulância, tudo
durando poucos minutos. E não importava qual nome tinha, este se perdeu na
imensidão de um universo indiferente e vazio, ali, como muitos outros se
perderam e continuam a se perder.
sábado, 21 de setembro de 2013
Devaneios.
Lentamente nos sentimos mais perto do que estamos esperando; sabemos que certamente algo acontecerá. A cada página lida sentimos um caos que, num dado momento, explodirá em um clímax intenso. A atmosfera aos poucos passa a se fechar em volta de nós, até então nos dominar por completo. Pobre em descrições, o estilo obscuro e perturbador do autor nos força a sermos analistas e a interpretarmos o que lemos, eu acredito, para nos inserir mais efetivamente em sua trama.
Pobre, porém muito orgulhoso e inteligente, Ródion Romanovitch Raskólnikov, um jovem ex-estudante de direito dono de uma mente em confusão e doentia, planeja um assassinato contra uma velha usurária ao se encontrar numa situação desprezível: ainda morando em um cubículo sujo, devia dinheiro a certa locatária. Mas esta não era a principal razão para o assassínio, ele se via no direito de matá-la. Essa atitude lhe causa um intenso conflito em sua mente que o atinge da primeira até a ultima página.
Poderia escrever uma resenha, o livro é de uma complexidade interessante, mas por ora somente falarei dele abordando-lhe só uma superfície, portanto o que está lendo será curto. Depois postarei uma resenha, uma matéria que mergulhe mais profundamente em Dostoiévski, meu escritor favorito e atualmente minha principal influencia.
Raskólnikov possuía um comportamento melancólico e mórbido. Certas vezes sofria delírios, outras vezes saia de casa para caminhar pela cidade como um ébrio... Não bebia muito, mas havia momentos em que entrava em tavernas se permitindo estar entre pessoas. Não socializava muito – passara um mês inteiro em isolamento – mas algumas vezes não suportava ficar em sua casa, sobretudo pelo fato daquela ideia tanto o perturbar quando ele se encontrava lá. Achava que sair um pouco lhe faria esquecer um pouco as coisas que o inquietava e, quando se via em meio àquele povo humilhado, se identificava com eles e se sentia melhor. Sentia que, quando ficava sozinho, uma sombra perigosa se aproximava. Saia porque também queria esquecer a locatária e se queixava de que sua “casa” intensificava sua melancolia.
De quase 600 páginas, ao menos a tradução em português que li, Crime e Castigo é um livro que o caracterizo como genial e não é à toa que seja considerado uma das maiores obras da literatura – para alguns a maior – e que, por exemplo, influenciou todo o século XX, como Freud e Kafka. Fora publicado em 1866. É um romance realista e de alto teor psicológico, principais características de Dostoiévski em seus escritos, e claro, não é a única obra genial do autor. Em sua vida, começando por Pobre Gente em 1846 quando tinha 25 anos, foi escrevendo as maiores obras da literatura.
Levantou-se tarde no dia seguinte, após um sono agitado que não lhe reparara as forças. Despertando, sentiu que estava de mau humor e lançou em volta de si um olhar de tédio, irritado. Esse cubículo de seis passos de comprimento tinha o aspecto mais miserável que se pode imaginar, com os estofos amarelados, deteriorados e imundos de poeira. O teto era tão baixo, que um homem de estatura alta não estaria à vontade naquela toca, com o permanente receio de bater nele com a cabeça. A mobília estava em harmonia com o recinto: três velhas cadeiras com falta de pés, a um canto uma mesa de pinho, na qual se amontoavam livros e cadernos cobertos de densa camada de pó, evidente prova de que havia muito deque não tocavam neles; finalmente, um grande e desmantelado divã, cujo estofo se desfazia.
Este móvel, que ocupava quase metade do quarto, era a cama de Raskólnikov, que nele dormia quase sempre vestido e sem lençóis, cobrindo-se com a sua velha capa de estudante e encostando a sua cabeça numa pequena almofada chata sob a qual metia toda a sua roupa, limpa e suja. Em frente ao sofá havia uma pequena mesa.
A misantropia de Raskólnikov adaptava-se magnificamente a toda aquela porcaria. Tomara tal aversão a qualquer ser humano, que à vista da própria criada que arranjava o quarto se exasperava. Isso é frequente em certos monomaníacos, preocupados com uma ideia fixa.
Havia quinze dias que a hospedeira suspendera o fornecimento de comida, mas Raskólnikov não pensara ainda em ir entender-se com ela.
Quanto a Nastácia, cozinheira e única criada da casa, não se aborrecia ao ver o inquilino nessas disposições, por que isso importava em uma diminuição do seu trabalho: deixara completamente de arrumar e limpar o quarto de Raskólnikov, vindo apenas uma vez por semana dar uma vassourada. Neste momento entrou para despertá-lo.
– Levanta-te! Como podes dormir até estas horas? Já são nove. Trago-te chá, queres uma xícara? Sempre estás com uma cara!...
Raskólnikov abriu os olhos, espreguiçou-se e reconheceu Nastácia.
– É a patroa que manda o chá?, perguntou enquanto se sentava.
A criada colocou diante dele o bule onde havia ainda um resto de chá, e pôs ao lado dois torrões de açúcar.
– Toma, Nastácia, disse ele, procurando no bolso e tirando uma moeda (mais uma vez se deitara vestido), peço-te que me vás comprar uma pãozinho e traze-me do salsicheiro um pedaço de chouriço, do mais barato.
– Num minuto estou de volta com o pão; mas em vez de chouriço, não queres antes um chtchi*? É de ontem e está uma beleza. Já ontem à noite te guardei um pedaço mas tu entraste tão tarde! Está uma delicia.
Foi buscar o chtchi. Raskólnikov pôs-se a comer e ela sentou-se no sofá ao seu lado, tagarelando, como camponesa que era.
– Praskóvia Pávlovna vai queixar-se de ti à polícia.
A fisionomia do rapaz alterou-se.
– À polícia? Por quê?
– Porque não lhe pagas e não queres sair. Ora aí tens o porquê.
– Essa só pelo diabo! Não me faltava mais nada!, rosnou por entre dentres, muito fora de propósito vem isso agora para mim... E tola, acrescentou em voz alta. Vou logo falar-lhe.
– Tola? É tão tola como eu. Mas tu, que és esperto, para que passas o dia deitado, como um vagabundo? Por que é que ninguém vê o teu dinheiro? Dantes parece que dava lições, por que é que não fazes nada, agora?
– Sempre faço alguma coisa... respondeu Raskólnikov bruscamente e contrariado.
– Que fazes tu?
– Trabalho.
– Mas que trabalho?
– Penso!, respondeu ele asperamente, depois de breve silêncio.
*Típica sopa russa de repolho.
Trecho de Crime e Castigo, páginas 34-36, tradução de Luiz Cláudio de Castro, editora Ediouro.
domingo, 18 de agosto de 2013
Um ensaio sobre Death Note: Lawliet.
Os seus olhos são aqueles que expressam cafeína. Sua personalidade lhe prende em um mundo exclusivamente seu. O foco em resolução de crimes o toma por completo, o seu dia a dia é composto por doces e raciocínios constantes. Único e de uma mente brilhante, Lawliet, mais conhecido como L, me desperta fascínio. A sua aparência, o seu modo de ser... É de hábitos estranhos e de um ego enorme e infantil. “Kira é infantil e odeia perder, eu sei disso porque também sou infantil e odeio perder”, disse em sua primeira aparição já iniciada com um “bang”.
Vendo esse personagem, poderia ser dito que é um típico “frio e calculista”. Mas tal afirmação é errônea. Ao contrário, L é de uma intensa sensibilidade. O seu comportamento antissocial é resultado de um desapontamento para com os outros, em excessão de poucos, como Watari ou Light, titulado o ultimo como o seu primeiro amigo. Isso foi dito aos seus 24 anos de idade, idade em que morrera, denunciando uma vida totalmente reclusa. Analisando-o com uma perspectiva realista, seria possível julga-lo próximo de ser um doente mental, ou talvez um. O ser humano é geneticamente social e tal modo de vida lhe traria problemas psicológicos, como por exemplo, a depressão, ou a falta de desenvolvimento de técnicas de socialização. Mas afirmando prontamente, ele é único. Disse no episodio 25, o episodio em que morrera, que “minhas relações com os outros são muito distantes e eu não confio em ninguém”, a justificativa de seu isolamento. Depois de ter resolvido seu primeiro crime ainda quando criança, formou-se então o seu estilo de vida. Watari lhe deu um computador porque isso seria poder para ele. Um quarto exclusivamente seu foi algo que ele particularmente adorou. A riqueza de Watari só existe por causa de uma iniciativa de L de investimentos.
Death Note foi o anime que mais assisti dentre qualquer outro, perdi a conta de quantas vezes o assisti, aparentando até uma obsessão. Mesmo depois de tê-lo completado, sempre que eu podia assistia dois ou três episódios aleatórios, cenas que eu queria ver. Amava todas as falas de Light, L, Near e Mello. O olhar, o comportamento... Toda a atmosfera daquela obra prima me fascinava e ainda fascina. É, de longe, o melhor anime que já assisti por me ter proporcionado muitas emoções incríveis, perdendo apenas para Monster, de Naoki Urasawa, uma outra obra que expressa pura genialidade, de roteiro muito bem desenvolvido, sendo, creio eu, “tecnicamente” superior ao de Death Note, mas só técnicamente. Ainda assim coloco um talvez quanto a isso.
Death Note é diferente dos outros animes/mangás em muitos aspectos. É considerado muito famoso, maesmo não sendo um shonen típico como os outros, de batalhas, amizade, esforço... O autor conseguiu impressionar, admiro isso. É como se ele tivesse o talento singular de artistas do underground, mas conseguindo afetar todos, tornando-se popular por ser demasiado tocante. Mas vou falar especialmente de Lawliet, e quem ainda não leu ou assistiu a série, sugiro que abandone a leitura desse artigo, pois haverá spoilers, é necessário que haja. Não sei se falarei tudo que eu quero, jáque não pretendo escrever um longo artigo. Provavelmente não será possível, então caso gostem, posso continuar minha analise em um outro artigo como uma segunda parte.
Lawliet é o personagem de ficção o qual mais me identifiquei, como também Raskólnikov, do livro Crime e Castigo. Isso não significa que eu sejaliteralmente como ele, é algo mais sutil, embora eu seja um sujeito que exagera nos doce e café assim como ele. Mas não mais, devido a problemas de saúde. Certa vez tomei sete xícaras de café num só dia. Não falarei muito sobe esse ponto por ser muito pessoal, mas quanto a sua frase dita de que possui dificuldades em confiar nas demais pessoas, isso me tocou profundamente.
Vendo Death Note de um ponto analítico, ele é rico em teor psicológico tanto quanto filosófico. O ideal de kira expressa o desejo de muitas pessoas, um clamor por uma sociedade melhor, o que muito interessa o leitor, porém para deixar tuo ainda mais interessante, existe uma questão moral: ele não passa de um assassino. Foi o que disse Near.
Lawliet morreu com 24 anos, faz aniversário no dia de Hallowen, tinha 50kg, odiava meias e amava doces. Esse amor por coes é de caráter cientifico, de caráter neurológico quanto psicológico. Glicose nos dá um rápido prazer, e como L é depressivo, glicose o atrai. Sim, ele é depressivo. É de uma sensibilidade que amo, isso é sutil. Porém como o prazer da comida é de efeito rápido, ele repete sempre o processo, como um vicio. É por essa razão que quando as mulheres estão tristes, se sentem atraídas a comer chocolate, por conta da substancias que é liberada ao cérebro que as proporciona prazer. E há outro fator: quando a glicose é ingerida, serve como uma ótima fonte de energia para o cérebro, porém depois causa um certo cansaço mental, exigindo assim, eu creio, mais glicose para continuar no efeito desejado, o efeito que Lawliet deseja, como também satisfazer o seu particular vicio. Pessoas solitárias tendem a ficar viciadas em coisas mais rapidamente que as demais. Mas sendo realistas, taldieta pode causar problemas de saúde e até levar a morte. Entretanto, L era um gênio. Embora seja ficção, e se ele soubesse manipular perfeitamente sua nutrição? Além do mais, ele não engorda, o que causa inveja a Misa-Misa e que denuncia que ele sabe o que está fazendo.
L era depressivo, claramente por não ser normalmente sociável. Não tinha amigos, senão Watari e posteriormente Light, se é que Light o considerava amigo também, coisa que provavelmente não deva ter acontecido e que, também, talvez L só estivesse mentindo. E não duvido disso, talvez realmente estava, mas a admiração de Lawliet pelas habilidades intelectuais de Light de fato eram reais... Ainda assim, de qualquer forma, não deixava de ser reservado. Pessoas desse tipo sofrem de uma dolorosa solidão opcional, por escolherem não se envolver com outras pessoas que ela, por algum motivo, considere incompatível. E por tal atitudem logo deduzimos que também seja orgulhosa, por preferir o sofrimento o sofrimento do que a socialização, por s e achar até num nível superior. A solidão pode ser proporcionado por um efeito contrário, por a pessoa achar estar num nível inferior, porém tal atitude não é opcional.
Por não ter cometido suicídio, isso demonstra que ainda assim L ama a vida. Isso acontece pelo fato de ser um detetive e isso serve para lhe preencher o vazio, para lhe dar uma responsabilidade, ainda assim um lugar num mundo não tão compatível consigo mesmo, evitando crises existenciais. Aí está o amor pela justiça, uma autoafirmação para satisfazer a necessidade de identidade. “Eu sou a justiça!”
Geralmente, todo gênio paga um preço pela sua genialidade, muitas vezes problemas emocionais. Dostoiévski, por exemplo, é considerado um gênio da literatura russa, porém como ele escreveria realismo e obras de alto teor psicológico e exato, senão passando por tais experiências e consequentemente transformando pensamentos instrospectivos em milhas de seus romances? Fora necessário o sofrimento, foi suas obras resultado de sua vida. Embora não seja o mesmo caso com L, a teoria ainda é a mesma. L teria a mesma mentalidade caso tivesse outra personalidade? Seria ele um exímio detetive se tivesse uma vida social comum, se tivesse sido um adolescente como qualquer outro? Teria ele a mesma motivação para executar a justiça, se não fosse sensível? Se não sofresse por assistir a uma sociedade tão suja? Isso talvez não pareça ter ligação caso o leitor seja de um puro ceticismo, mas para mim faz muito sentido e é como o compreendo e o interpreto.
Lawliet, assim como os demais personagens de Death Note, é de uma complexidade que me desperta interessem tais como também Light, Mello e Near, os quais talvez eu fale depois.
terça-feira, 7 de maio de 2013
Visita do profundo.
Acordei durante madrugada, não sei qual hora, muito assustado
e perdido. Podia me levantar e ir ao banheiro ou beber água, podia simplesmente
tentar dormir novamente, podia fazer alguma coisa normal... caso a situação
fosse normal. Estava tão assustado quanto alguém que teria a pouco acordado de
um terrível pesadelo. Mas... que pesadelo? Eu não tive pesadelo algum. Acordei
com a pior sensação que tive em minha vida sem aparentes motivos. “Estou enlouquecendo”,
foi o primeiro pensamento que me surgiu, mesmo que confuso.
“Eu não posso voltar para o
pesadelo! Se eu dormir, certamente voltarei!”, pensei enquanto sentia uma
ansiedade nunca antes sentida. Ora, voltar para qual pesadelo? Era como se eu
tivesse, de fato, tido um pesadelo, porém assim que havia acordado eu o esqueci
completamente. Pensei nessa possibilidade, embora pareça absurda. Sentia ali
uma ansiedade demasiada profunda, um caos que me dominava quase por completo.
“Meus ossos, eles irão se
desconectar se eu continuar acordado...”, esse foi o pensamento que marcou o clímax
do meu terror. Eu sentia isso, sentia perfeitamente que as conexões de meus
ossos explodiriam cada uma e de uma só vez. Agora percebo o quanto essa ideia
era fantasiosa e doentia, mas naquele momento eu a sustentava como uma verdade,
como uma realidade que não permitia escapatória.
A escuridão me rodeava, entrava em meu corpo
por todos os lados e eu parecia também fazer parte dela, perderia ali minha existência
se me permitisse ser dominado pelos meus demônios. “Devo voltar a dormir”,
dizia isso para mim mesmo com uma sensação nada auxiliadora para se sentar cair
no sono novamente. Fico surpreso por haver dentro de nós a capacidade de
produção de um terrível inferno. Como alguém - ou para acentuar mais o meu
espanto - como eu poderia ter chegado a tal ponto? Que lado obscuro é este que
existe em minha alma? Tinha perdido a vida, tinha já sido condenado ao
suplicio? Mas... ora... era um sofrimento que meu próprio cérebro construiu!
Não estava sendo dilacerado por um monstro real nem alguma espada estava sendo
cravada em meu peito! Um monstro que só eu enxergava me causava mais dores do
que qualquer outra!
Ainda assim consegui dormir, a cena não tardou
para acabar; rápida como um relâmpago, mas com a intensidade de mil raios e mil
trovoes. Talvez só a intensidade a fez parecer longa já que cada segundo era de
dor insuportável. Acordei aliviado durante
a manhã; percebi que ainda estava vivo e que os meus ossos estavam em seus
devidos lugares.
sábado, 30 de março de 2013
A sociedade perfeita.
Honestidade, esperança, amor,
respeito... Essas são algumas características que uma boa pessoa teria.
Egoísmo, ódio, ignorância... Essas são as características que definiria uma
pessoa ruim. E no nosso mundo existem esses dois tipos de pessoa. Uma sociedade
perfeita teria somente pessoas boas, mas isso é impossível, pois os seres
humanos não são completamente bons, nem completamente malvados. Alguns somente
tem uma tendência maior para um desses lados. Porém todos, sem exceção, são um
tanto bons e um tanto malvados. Essa é a natureza humana, ao menos a mais pura.
É possível que alguns tenham perdido em demasia a capacidade de executarem um
ato de bondade, mas estes não seriam, de fato, humanos. Estes perderam a
humanidade, a cidadania, e o respeito dos demais humanos. Não é sem sentido que
muitos destes sejam considerados loucos. Um serial killer, quando preso, passa
por exames psicológicos, como se a maldade em alto nível não fosse algo
natural. Ora, apenas não é algo que costumam fazer frequentemente. Todos os
humanos possuem dentro de si o céu e o inferno. Porém há um truque.
“Não será alguém de bom
coração. Matando-o”, era o que o computador mostrava em seu monitor inúmeras
vezes. Todos os dias, sem pausa, o computador analisava milhares de crianças
logo depois de nascerem e determinavam quais deveriam continuar vivendo e quais
deveriam morrer. Somente as boas pessoas viviam e tinham o direito de
viver. Honestidade, esperança, amor,
respeito... Quem não tivesse as características corretas deveria ser morto. Sem
cessar, vidas eram julgadas unicamente por uma maquina. A grande maioria tinha
a vida arrancada e pouquíssimas crianças de fato viviam. Era uma peneiração,
mas todos aceitavam esse método, pois todos assim eram felizes. Na terra, então
só haveria os bons, não existiria mais o que temer. Não era mais necessário se
preocupar com roubos, estupros, assassinatos... Nas ruas, nos parques, nas
casas... Em todos os lugares os pensantes apreciavam um belo paraíso.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Inclinação.
Ele estava correndo o mais rápido que podia, mas não sabia se estava chegando perto. Tudo era tão branco, parecia realmente um completo vácuo e nem sequer o chão ele podia concretamente sentir; só sabia que podia correr. Cansava, descansava, e depois voltava a correr. Cansava, descansava, e depois voltava a correr.
Poderia durar toda uma eternidade ficar naquele lugar, mas e se parasse de se esforçar? Era melhor continuar soando. Era um suor frio, talvez somente uma demonstração qualquer de que ali ao menos ainda era humano. Parecia falso, mas talvez não pudesse ser. Havia possibilidades, havia milhões de possibilidades... Apenas se podia acreditar em uma ou algumas, porém apenas crenças. Era um jogo que envolvia nervos, envolvia a sua paciência e, em outro lado contrário, o desespero. A sua mente era uma balança que poderia pesar para um desses dois lados, mas qual seria?
Quanto mede uma eternidade? Podia medir o suor que pingava do rosto, podia contar o número de vezes que parava de correr, que hesitou ou as vezes que pensou na morte... Talvez já estivesse morto. Só podia correr, só podia achar que estava respirando, pensar em encontrar uma prova de que ainda estava vivo... O nível era tão alto que duvidava até se os seus pensamentos realmente eram os seus pensamentos.
Todos o viam, mas ele não conseguia avistar ninguém. Estava ali no sofá velho de seu cubículo que chamam de quarto. Os pais não sabiam o que exatamente fazer. Não esperavam isso do filho, não esperavam nada, e nem sequer antes prestavam atenção nele para formar algum raciocínio a seu respeito, ou possuíam alguma curiosidade que valha satisfazer perguntando se o jovem estava bem quando o viam. Apenas agora, sem ele saber se os pais se preocupavam com ele, ele provocou alguma atenção nos demais da família. Ele apenas sabia que devia continuar correndo no vazio para continuar tentando encontrar a saída daquele inferno. Olhos abertos ou fechados não possuíam mais diferença. Independente disso, sempre avistava o mesmo lugar.
Poderia durar toda uma eternidade ficar naquele lugar, mas e se parasse de se esforçar? Era melhor continuar soando. Era um suor frio, talvez somente uma demonstração qualquer de que ali ao menos ainda era humano. Parecia falso, mas talvez não pudesse ser. Havia possibilidades, havia milhões de possibilidades... Apenas se podia acreditar em uma ou algumas, porém apenas crenças. Era um jogo que envolvia nervos, envolvia a sua paciência e, em outro lado contrário, o desespero. A sua mente era uma balança que poderia pesar para um desses dois lados, mas qual seria?
Quanto mede uma eternidade? Podia medir o suor que pingava do rosto, podia contar o número de vezes que parava de correr, que hesitou ou as vezes que pensou na morte... Talvez já estivesse morto. Só podia correr, só podia achar que estava respirando, pensar em encontrar uma prova de que ainda estava vivo... O nível era tão alto que duvidava até se os seus pensamentos realmente eram os seus pensamentos.
Todos o viam, mas ele não conseguia avistar ninguém. Estava ali no sofá velho de seu cubículo que chamam de quarto. Os pais não sabiam o que exatamente fazer. Não esperavam isso do filho, não esperavam nada, e nem sequer antes prestavam atenção nele para formar algum raciocínio a seu respeito, ou possuíam alguma curiosidade que valha satisfazer perguntando se o jovem estava bem quando o viam. Apenas agora, sem ele saber se os pais se preocupavam com ele, ele provocou alguma atenção nos demais da família. Ele apenas sabia que devia continuar correndo no vazio para continuar tentando encontrar a saída daquele inferno. Olhos abertos ou fechados não possuíam mais diferença. Independente disso, sempre avistava o mesmo lugar.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
O ladrão de sonhos.
Transformar sonhos em realidade é muito difícil. Requer
esforço, requer luta, requer correria. Correria? Sim, devemos correr atrás de
nossos objetivos, nossos sonhos... Correr o mais rápido que conseguirmos e
tentar vencer uma corrida contra o tempo para que brevemente não seja tarde
demais. A vida não passa de uma frase curta: nascer e sobreviver até chegarmos
ao limite. E o limite chama-se morte. Temos que ser felizes antes de morrer, e
alguns para buscarem a sua verdadeira felicidade buscam realizar os seus
sonhos. Existem vários tipos de pessoas, porém as mais valiosas são as quem
sonham. Alguns sonhadores nunca desistem,
alguns sonhadores nunca se desanimam ao falhar. O importante não é vencer,
o importante é tentar. Sonhadores, nunca parem de sonhar! Entretanto, tenham
cuidado e prestem atenção no que irei contar. Acredite, eu acho melhor
acreditar.
Fujam! Fujam dos ladrões de sonhos! Ora, eles estão por toda
parte!
Sentado em um banco do parque, Danf observava os pássaros.
No centro do parque havia uma linda fonte de água. A água brilhava com os raios
de sol daquela manhã e os pássaros lá estavam. Alguns parados, outros voando de
um lado para o outro como se estivessem brincando. Cantavam e cantavam tornando
aquela manhã cada vez mais tranqüilizante e agradável enquanto Danf pensava em
algo. Ele estava pensando em seguir um sonho. Ele queria ser um artista. Um
famoso artista.
Não demorou muito para o sujeito aparecer. O ladrão de
sonhos vestido com o seu manto desbotado, olhos mortos e pele branca como a
neve surgira diante do menino. Aparentava um fantasma. Não, ele não aparentava,
na verdade ele era um e poucas pessoas possuíam o dom de vê-lo. Digo, essas
pessoas são os verdadeiros sonhadores, os mesmos que nunca desistem e nunca se
desanimam ao falhar. Os sonhadores o qual eu contei há pouco. E se você é um,
tenha cuidado com o ladrão pálido. O desesperado ladrão de sonhos.
- Criança, o que tu pensas? – Disse o ladrão ao chegar.
- Quero ser um artista – o menino respondeu suavemente.
- Então tu sonhas?
- Eu sonho em ser um reconhecido artista – Danf respondeu
novamente. – Quero pintar lindos quadros, quero brincar com as cores.
O ladrão suspirou, deu de ombros, e mostrou uma expressão
desapontada e ao mesmo tempo feliz. Estava desapontado por ainda existir
sonhadores e feliz porque encontrara logo um. O seu dever era devorar os sonhos
das pessoas antes destas os realizarem. Ora, hoje talvez fosse o seu dia de
sorte. Achava que facilmente engoliria o sonho do menino e já pensava em sua
próxima refeição. “Espero que na próxima vez seja alguém que sonhe em ser
escritor. Eles têm um gosto muito bom...” Pensava o ladrão faminto como sempre.
Eu quem escrevo essa história sonho em um dia ser reconhecido como um grande
escritor... Eu espero que o ladrão de sonhos realmente não exista, senão terei
problemas.
O ladrão encarou o menino por alguns segundos o esperando
dizer mais alguma coisa, e nada o menino falou. Ele sentou ao lado do menino e
após esperar mais alguns segundos, quebrou o silêncio, dizendo:
- Irei devorar o teu sonho. Irei devorá-lo e você não irá
mais realizá-lo. Eu sinto muito.
O menino o ignorou continuando ainda a prestar atenção nos
pássaros e mergulhado nos pensamentos sobre ser artista. O ladrão de sonhos não
se aborreceu e falou em murmúrios:
- É muito triste, muito mesmo. Você jamais será artista. Oh,
sou terrível! Eu não sinto remorso ao fazer isso. Eu não sinto muito, eu menti.
O ladrão queria que o menino o temesse, porém não conseguia
assustá-lo. O ladrão ainda não se aborreceu, suspirou e murmurou outra vez:
- Eu sou um monstro, eu sou terrível. Irei devorar o teu
sonho porque eu sou muito malvado – e a sua tentativa séria de assustar o
menino mais parecia com uma ironia.
Danf o olhou pela primeira vez. A sua expressão era feliz. O
brilho dos seus olhos atingia a sensibilidade de qualquer pessoa e o seu olhar
tinha vida, pureza e a inocência de um anjo. O menino sonhador olhava para o
ladrão sem temê-lo e ainda nada falou. O ladrão chateou-se, ficou aborrecido e
não queria mais conversar. Levantou-se do banco, ficou em pé frente a frente ao
menino, escancarou a boca e devorou o sonho de Danf. Uma cintilante luz fugia
do coração do garoto até a boca do devorador. A luz absorvida com a boca seguia
até os olhos do ladrão em um brilho esplendor. O sonho do menino fora embora. O
ladrão fechou a boca, satisfeito, e então partiu desaparecendo com o vento da
manhã.
O menino adormeceu.
O menino adormeceu ali no banco.
Um pássaro pousou em cima dele e cantou iniciando uma
melodia que todos os outros pássaros tornaram também a cantar. Em poucos
minutos o menino acordou. O seu olhar estava agora triste e sem vida. O seu
sonho fora roubado e ele não seria mais artista. Agora era impossível realizar
o seu sonho, pois este passou a pertencer ao ladrão. Mas... O menino voltou a
sonhar. Ele sonhava agora em recuperar o seu antigo sonho. Ele não conseguia
lembrar-se exatamente qual, mas sonhava, sonhava em tê-lo de volta. O mesmo
sonho que sonhara antes. E isso, de qualquer forma, também é um sonho.
Os pássaros foram embora. Naquela manhã começou a chover e
quando a ventania de repente aumentou, o ladrão reapareceu a frente do menino.
Ele teria de devorar novamente o sonho de sua vitima. Era o seu dever, mas ele
não gostara nem um pouco de Danf voltar a sonhar. Dessa vez não sentara ao lado
do menino e suas vestes estavam molhadas por conta do tempo. A chuva atacava
fortemente o parque e ele apressou-se com a sua segunda refeição do dia. O
ladrão não gostava de chuva e queria sair o mais rápido possível de lá.
- Porque voltara a sonhar? – Perguntou o ladrão, surpreso.
- Não sei – respondeu o menino de imediato. – Apenas sonho,
eu sonho em ter o meu sonho de volta.
Isso jamais acontecera antes. O ladrão, ainda surpreso,
encarou o menino com certo desprezo. Ao olhar para o ladrão ninguém perceberia
isso, a sua face continha uma expressão indiferente e indescritível que só os
fantasmas possuíam.
- Não me importa, eu devorarei o teu sonho outra vez, agora
será impossível você voltar a sonhar – disse o ladrão aproximando-se mais um
pouco do menino, escancarou a sua boca e uma luz fugia de dentro do garoto. O
ladrão devorou o sonho de recuperar o sonho de Danf. Virou-se, andou lentamente
em direção a fonte e logo desapareceu em uma ventania. O menino ficou sozinho
de novo, e um pássaro, o mesmo que cantara primeiro na outra vez, pousou no
chão molhado e começou a cantar. Dessa vez o menino não havia adormecido e
presenciou o canto e a melodia harmoniosa do pássaro. Um canto destinado
somente a ele, um canto bonito e revelador. A música do pássaro o fazia sonhar
outra vez, a melodia quebrava a impossibilidade de sonhar mais e mais, e então,
de cabeça erguida para o céu, o menino voltou a sonhar! Sonhava em recuperar o
sonho de recuperar o sonho, e isso, de qualquer forma, também é um sonho! E o
ladrão, depois de algumas horas, reapareceu totalmente insatisfeito e
aborrecido. O ladrão estava cansado do menino, suspirou e não se sentou, escancarou
a boca e uma luz fugiu dele. O ladrão devolveu o sonho do menino de desejar ser
um artista e nada falou. A sua expressão dizia tudo. A sua expressão
indiferente mudara-se para uma raivosa e monstruosa, a qual, talvez, mostre
quem realmente ele era. O menino o surpreendeu e ninguém era capaz de tanto
sonhar... Sonhar tão verdadeiramente. E o devorador rendeu-se. O menino amava o
seu sonho, e então, ao crescer, o realizou. Danf tornou-se um exímio artista e
ao morrer uma famosa galeria de arte recebeu o seu nome como titulo, enquanto o
desesperado e pálido ladrão de sonhos contentavam-se com muitos e muitos sonhos
de outras pessoas, inclusive, até mesmo o tal sonho de querer ser escritor.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Uma conversa com a solidão. Uma conversa com a morte.
Havia um menino que era muito carente e precisava de amigos. Ele chamava-se Nako, tinha oito anos de idade e não sentia-se triste por isso. Até que um dia a senhora Tristeza o visitou enquanto ele estava no jardim de sua casa, dizendo:
- Não procure a senhora Felicidade, com ela você nada irá aprender. Prefira a mim e comigo irei trazer o Sofrimento, pois vos digo que é entre nós que aprenderá as lições da vida. Quer que eu seja tua melhor amiga?
O menino sentado na grama esverdeada levantou-se e balançou a cabeça, rejeitando a presença da Tristeza.
Depois de Nako andar um pouco, o velhote Tédio chegou lentamente a ele.
- Ora, como vai? Posso deixar o seu dia muito chato. Você percebe como sou malvado? Sim, sou mesmo, gosto de deixar as outras almas grande parte do tempo entediadas com a minha companhia. Aliás, quer que eu seja teu melhor amigo?
O menino direcionou seu olhar indiferente a outro lado e ignorou o Tédio escolhendo brincar sozinho. E então, de vestes rasgadas, velhas e sem vida, a senhorita Solidão apareceu a ele, sussurrando:
- Vejo que está só. Mas como sou inevitável certas vezes, você agora tem a mim. Já que sou bastante amigável, posso ser sua melhor amiga, o que acha?
Nako, solitário como estava, não a rejeitou e ficou com a amizade oferecida. E a solidão vendo que o menino estava prestes a entristecer-se por ainda sentir-se sozinho, falou:
- Não chore só porque não tem tantos amigos. As pessoas mentem, manipulam, te aborrecem e são poucas as que trazem consigo a querida Sinceridade e o jovem Amor. Ninguém te enganará ou lhes machucará agora. Porém, terá de se acostumar comigo. Acostumar-se com a Solidão.
E ditas essas palavras da amiga Solidão, vinham andando até o encontro de Nako a senhora Felicidade, o jovem Amor e a querida Sinceridade e juntos brincaram no jardim.
Anos passaram-se... E sobre Nako, quase me esqueço de lhes contar que o próprio era órfão e vivia em um orfanato sem amigos, pois nenhuma pessoa sequer o amava. Mas um dia, isso mudou. Nako foi adotado por uma linda família e ele despediu-se finalmente da Solidão, orgulhoso e feliz por agora ter um pai e uma mãe.
Sabe, com honestidade a quem ler essa história, menciono a noticia de que Nako nunca fora tão alegre depois desse dia. Assim, viveu toda sua vida de forma simples, modesta e humilde. Até envelhecer e a esperada querida Morte surgir e o levar embora.
Tudo estava tão escuro, tão vazio, tão sem vida... Nada os olhos enxergavam, nada a pele sentia como o frio ou o calor, nada a mente lembrava, nem nada o coração gritava. Não havia barulho, também não havia silêncio, apenas as suas pernas sem se mover sobre um solo invisível e o corpo sem alguma ação ou impulso. Até fechar lentamente as pálpebras, e quando achava que iria cair em um sono profundo, sentiu uma mão fria e lívida tocar sem ombro lhes causando um tremor na alma. Voltou a ter forças e distinguiu a sua frente um alguém, porém não um alguém qualquer. Ele apresentou-se como a morte, pois foi seu olhar quem tinha dito por ele.
- Não tenha medo, porque se deve temer ao que é mal e eu não sou mal – a morte murmurou.
Nako temia a ele, mas logo passou a confiá-lo misteriosamente de uma forma natural.
- Perdi o medo e em troca ganhei a tristeza. Estou morto junto com a minha esperança.
- Ora, não entristeça. Eu, a morte, lhes dou de presente um descanso que você irá gostar, sabe por quê? Porque ele é longo, tão longo que jamais irá acabar.
- Poxa, então com qual razão eu poderia ficar feliz com isso? Nem tenho mais vida! Ela foi embora e levou consigo tudo que sou e tudo que fui. Serei esquecido com o tempo. Minha família não me verá mais e aqueles quem eu amo eu também não os verei outra vez – Disse Nako deixando-se ser dominado por um ódio inevitável – E a culpa é toda sua! Se a morte ao menos não existisse...
Enfim houve uma pequena pausa.
- Os humanos iriam piorar... – a morte continuou.
Nako espantou-se.
- Piorar? - perguntou surpreendido, pois para ele a morte era horrível, destruidora, totalmente má.
- Exatamente - a morte respondeu com um tom suave. – Sem mim os humanos se tornariam podres. Digo, mais podres do que costumam ser.
- Não, eu sinceramente não entendo... – Nako falou.
Ouvindo isso, a morte deu de ombros e começou a andar pelo vazio.
- Hm, deixe-me explicar... – ela suspirou. - Caso um dia ninguém nunca mais morrer nesse mundo, ninguém mais terá amor, sonhos ou maravilhas... Comigo é diferente, se aprende quenada é para sempre! Devemos aproveitar tudo ao máximo, pois um dia iremos terminar acabar, desaparecer, ou para ser mais exato, simplesmente morrer... E lhe digo, é melhor uma vida curta para valorizar cada dia que temos do que uma longa e eterna de que dias mágicos não seriam importantes.
E então escutando aquelas palavras, Nako ficou pasmo e mudou de idéia naquele momento após conversar com a própria morte. Afinal, ele não sabia que a morte poderia ter um lado bom na vida... Ah, mas que vida? Lembrei-me, fiquei tão mergulhado no texto que esqueci que meu protagonista estava morto, entretanto, ouso em dizer que mesmo morto ele se sente vivo. Aliás, agora se deitou para o seu descanso satisfeito. De fato, suas dúvidas que alimentavam sua angustia foram todas respondidas. Todas respondidas por uma pessoa inesperada, é claro.
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