quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Erro.

       Podia escutar os próprios passos, o som de suas sapatilhas no concreto cinzento da calçada. Ainda restavam seis quarteirões para chegar até o metrô. Andava sem pressa, como se não se importasse com o tempo, horários de ida e chegada... Se chegaria ou não atrasado num lugar que se pode chamar de importante. Entretanto, ainda assim caminhava para se chegar lá, como se estivesse sendo sugado por um campo magnético, como se seus nervos estivessem agindo de acordo com alguma programação, como se não estivesse sendo ele mesmo o dono daquele corpo, ou talvez até da própria mente...
E repentinamente sentiu uma enorme dor de cabeça, pensou que desmaiaria ali mesmo. Tonturas, náuseas... Imaginava-se caindo na calçada. Os joelhos, depois as mãos pálidas e em seguida a cabeça, um ultimo tiro para o abate, mas antes disso conseguiu ver o assassino, e ele não tinha rosto, nem nome... Era apenas toda aquela multidão de transeuntes que pareciam agora terríveis sombras de um pesadelo. E sentia tudo o que possuía, não se sabe exatamente que coisas, ser absorvido por todos os ângulos, cada um tendo ali a sua parte em uma separação desordenada. E em seguidamente o corpo ao chão, o rompimento da consciência... As pessoas se aproximaram do morto após o notarem ali no chão, chamaram uma ambulância, tudo durando poucos minutos. E não importava qual nome tinha, este se perdeu na imensidão de um universo indiferente e vazio, ali, como muitos outros se perderam e continuam a se perder.

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