“Eu não posso voltar para o
pesadelo! Se eu dormir, certamente voltarei!”, pensei enquanto sentia uma
ansiedade nunca antes sentida. Ora, voltar para qual pesadelo? Era como se eu
tivesse, de fato, tido um pesadelo, porém assim que havia acordado eu o esqueci
completamente. Pensei nessa possibilidade, embora pareça absurda. Sentia ali
uma ansiedade demasiada profunda, um caos que me dominava quase por completo.
“Meus ossos, eles irão se
desconectar se eu continuar acordado...”, esse foi o pensamento que marcou o clímax
do meu terror. Eu sentia isso, sentia perfeitamente que as conexões de meus
ossos explodiriam cada uma e de uma só vez. Agora percebo o quanto essa ideia
era fantasiosa e doentia, mas naquele momento eu a sustentava como uma verdade,
como uma realidade que não permitia escapatória.
A escuridão me rodeava, entrava em meu corpo
por todos os lados e eu parecia também fazer parte dela, perderia ali minha existência
se me permitisse ser dominado pelos meus demônios. “Devo voltar a dormir”,
dizia isso para mim mesmo com uma sensação nada auxiliadora para se sentar cair
no sono novamente. Fico surpreso por haver dentro de nós a capacidade de
produção de um terrível inferno. Como alguém - ou para acentuar mais o meu
espanto - como eu poderia ter chegado a tal ponto? Que lado obscuro é este que
existe em minha alma? Tinha perdido a vida, tinha já sido condenado ao
suplicio? Mas... ora... era um sofrimento que meu próprio cérebro construiu!
Não estava sendo dilacerado por um monstro real nem alguma espada estava sendo
cravada em meu peito! Um monstro que só eu enxergava me causava mais dores do
que qualquer outra!
Ainda assim consegui dormir, a cena não tardou
para acabar; rápida como um relâmpago, mas com a intensidade de mil raios e mil
trovoes. Talvez só a intensidade a fez parecer longa já que cada segundo era de
dor insuportável. Acordei aliviado durante
a manhã; percebi que ainda estava vivo e que os meus ossos estavam em seus
devidos lugares.
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