E repentinamente sentiu uma
enorme dor de cabeça, pensou que desmaiaria ali mesmo. Tonturas, náuseas...
Imaginava-se caindo na calçada. Os joelhos, depois as mãos pálidas e em seguida
a cabeça, um ultimo tiro para o abate, mas antes disso conseguiu ver o
assassino, e ele não tinha rosto, nem nome... Era apenas toda aquela multidão
de transeuntes que pareciam agora terríveis sombras de um pesadelo. E sentia
tudo o que possuía, não se sabe exatamente que coisas, ser absorvido por todos
os ângulos, cada um tendo ali a sua parte em uma separação desordenada. E em seguidamente o corpo ao chão, o rompimento da consciência... As pessoas se
aproximaram do morto após o notarem ali no chão, chamaram uma ambulância, tudo
durando poucos minutos. E não importava qual nome tinha, este se perdeu na
imensidão de um universo indiferente e vazio, ali, como muitos outros se
perderam e continuam a se perder.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Erro.
Podia escutar os próprios passos,
o som de suas sapatilhas no concreto cinzento da calçada. Ainda restavam seis quarteirões
para chegar até o metrô. Andava sem pressa, como se não se importasse com o
tempo, horários de ida e chegada... Se chegaria ou não atrasado num lugar que
se pode chamar de importante. Entretanto, ainda assim caminhava para se chegar
lá, como se estivesse sendo sugado por um campo magnético, como se seus nervos
estivessem agindo de acordo com alguma programação, como se não estivesse sendo
ele mesmo o dono daquele corpo, ou talvez até da própria mente...
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