segunda-feira, 16 de abril de 2012

O ladrão de sonhos.

Transformar sonhos em realidade é muito difícil. Requer esforço, requer luta, requer correria. Correria? Sim, devemos correr atrás de nossos objetivos, nossos sonhos... Correr o mais rápido que conseguirmos e tentar vencer uma corrida contra o tempo para que brevemente não seja tarde demais. A vida não passa de uma frase curta: nascer e sobreviver até chegarmos ao limite. E o limite chama-se morte. Temos que ser felizes antes de morrer, e alguns para buscarem a sua verdadeira felicidade buscam realizar os seus sonhos. Existem vários tipos de pessoas, porém as mais valiosas são as quem sonham. Alguns sonhadores nunca desistem, alguns sonhadores nunca se desanimam ao falhar. O importante não é vencer, o importante é tentar. Sonhadores, nunca parem de sonhar! Entretanto, tenham cuidado e prestem atenção no que irei contar. Acredite, eu acho melhor acreditar.
Fujam! Fujam dos ladrões de sonhos! Ora, eles estão por toda parte!
Sentado em um banco do parque, Danf observava os pássaros. No centro do parque havia uma linda fonte de água. A água brilhava com os raios de sol daquela manhã e os pássaros lá estavam. Alguns parados, outros voando de um lado para o outro como se estivessem brincando. Cantavam e cantavam tornando aquela manhã cada vez mais tranqüilizante e agradável enquanto Danf pensava em algo. Ele estava pensando em seguir um sonho. Ele queria ser um artista. Um famoso artista.
Não demorou muito para o sujeito aparecer. O ladrão de sonhos vestido com o seu manto desbotado, olhos mortos e pele branca como a neve surgira diante do menino. Aparentava um fantasma. Não, ele não aparentava, na verdade ele era um e poucas pessoas possuíam o dom de vê-lo. Digo, essas pessoas são os verdadeiros sonhadores, os mesmos que nunca desistem e nunca se desanimam ao falhar. Os sonhadores o qual eu contei há pouco. E se você é um, tenha cuidado com o ladrão pálido. O desesperado ladrão de sonhos.
- Criança, o que tu pensas? – Disse o ladrão ao chegar.
- Quero ser um artista – o menino respondeu suavemente.
- Então tu sonhas?
- Eu sonho em ser um reconhecido artista – Danf respondeu novamente. – Quero pintar lindos quadros, quero brincar com as cores.
O ladrão suspirou, deu de ombros, e mostrou uma expressão desapontada e ao mesmo tempo feliz. Estava desapontado por ainda existir sonhadores e feliz porque encontrara logo um. O seu dever era devorar os sonhos das pessoas antes destas os realizarem. Ora, hoje talvez fosse o seu dia de sorte. Achava que facilmente engoliria o sonho do menino e já pensava em sua próxima refeição. “Espero que na próxima vez seja alguém que sonhe em ser escritor. Eles têm um gosto muito bom...” Pensava o ladrão faminto como sempre. Eu quem escrevo essa história sonho em um dia ser reconhecido como um grande escritor... Eu espero que o ladrão de sonhos realmente não exista, senão terei problemas.
O ladrão encarou o menino por alguns segundos o esperando dizer mais alguma coisa, e nada o menino falou. Ele sentou ao lado do menino e após esperar mais alguns segundos, quebrou o silêncio, dizendo:
- Irei devorar o teu sonho. Irei devorá-lo e você não irá mais realizá-lo. Eu sinto muito.
O menino o ignorou continuando ainda a prestar atenção nos pássaros e mergulhado nos pensamentos sobre ser artista. O ladrão de sonhos não se aborreceu e falou em murmúrios:
- É muito triste, muito mesmo. Você jamais será artista. Oh, sou terrível! Eu não sinto remorso ao fazer isso. Eu não sinto muito, eu menti.
O ladrão queria que o menino o temesse, porém não conseguia assustá-lo. O ladrão ainda não se aborreceu, suspirou e murmurou outra vez:
- Eu sou um monstro, eu sou terrível. Irei devorar o teu sonho porque eu sou muito malvado – e a sua tentativa séria de assustar o menino mais parecia com uma ironia.
Danf o olhou pela primeira vez. A sua expressão era feliz. O brilho dos seus olhos atingia a sensibilidade de qualquer pessoa e o seu olhar tinha vida, pureza e a inocência de um anjo. O menino sonhador olhava para o ladrão sem temê-lo e ainda nada falou. O ladrão chateou-se, ficou aborrecido e não queria mais conversar. Levantou-se do banco, ficou em pé frente a frente ao menino, escancarou a boca e devorou o sonho de Danf. Uma cintilante luz fugia do coração do garoto até a boca do devorador. A luz absorvida com a boca seguia até os olhos do ladrão em um brilho esplendor. O sonho do menino fora embora. O ladrão fechou a boca, satisfeito, e então partiu desaparecendo com o vento da manhã.
O menino adormeceu.
O menino adormeceu ali no banco.
Um pássaro pousou em cima dele e cantou iniciando uma melodia que todos os outros pássaros tornaram também a cantar. Em poucos minutos o menino acordou. O seu olhar estava agora triste e sem vida. O seu sonho fora roubado e ele não seria mais artista. Agora era impossível realizar o seu sonho, pois este passou a pertencer ao ladrão. Mas... O menino voltou a sonhar. Ele sonhava agora em recuperar o seu antigo sonho. Ele não conseguia lembrar-se exatamente qual, mas sonhava, sonhava em tê-lo de volta. O mesmo sonho que sonhara antes. E isso, de qualquer forma, também é um sonho.
Os pássaros foram embora. Naquela manhã começou a chover e quando a ventania de repente aumentou, o ladrão reapareceu a frente do menino. Ele teria de devorar novamente o sonho de sua vitima. Era o seu dever, mas ele não gostara nem um pouco de Danf voltar a sonhar. Dessa vez não sentara ao lado do menino e suas vestes estavam molhadas por conta do tempo. A chuva atacava fortemente o parque e ele apressou-se com a sua segunda refeição do dia. O ladrão não gostava de chuva e queria sair o mais rápido possível de lá.
- Porque voltara a sonhar? – Perguntou o ladrão, surpreso.
- Não sei – respondeu o menino de imediato. – Apenas sonho, eu sonho em ter o meu sonho de volta.
Isso jamais acontecera antes. O ladrão, ainda surpreso, encarou o menino com certo desprezo. Ao olhar para o ladrão ninguém perceberia isso, a sua face continha uma expressão indiferente e indescritível que só os fantasmas possuíam.
- Não me importa, eu devorarei o teu sonho outra vez, agora será impossível você voltar a sonhar – disse o ladrão aproximando-se mais um pouco do menino, escancarou a sua boca e uma luz fugia de dentro do garoto. O ladrão devorou o sonho de recuperar o sonho de Danf. Virou-se, andou lentamente em direção a fonte e logo desapareceu em uma ventania. O menino ficou sozinho de novo, e um pássaro, o mesmo que cantara primeiro na outra vez, pousou no chão molhado e começou a cantar. Dessa vez o menino não havia adormecido e presenciou o canto e a melodia harmoniosa do pássaro. Um canto destinado somente a ele, um canto bonito e revelador. A música do pássaro o fazia sonhar outra vez, a melodia quebrava a impossibilidade de sonhar mais e mais, e então, de cabeça erguida para o céu, o menino voltou a sonhar! Sonhava em recuperar o sonho de recuperar o sonho, e isso, de qualquer forma, também é um sonho! E o ladrão, depois de algumas horas, reapareceu totalmente insatisfeito e aborrecido. O ladrão estava cansado do menino, suspirou e não se sentou, escancarou a boca e uma luz fugiu dele. O ladrão devolveu o sonho do menino de desejar ser um artista e nada falou. A sua expressão dizia tudo. A sua expressão indiferente mudara-se para uma raivosa e monstruosa, a qual, talvez, mostre quem realmente ele era. O menino o surpreendeu e ninguém era capaz de tanto sonhar... Sonhar tão verdadeiramente. E o devorador rendeu-se. O menino amava o seu sonho, e então, ao crescer, o realizou. Danf tornou-se um exímio artista e ao morrer uma famosa galeria de arte recebeu o seu nome como titulo, enquanto o desesperado e pálido ladrão de sonhos contentavam-se com muitos e muitos sonhos de outras pessoas, inclusive, até mesmo o tal sonho de querer ser escritor.

3 comentários:

  1. Gostei, tá muito legal!
    Realmente, você, tem um futuro brilhante de escritor...

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  2. Parabéns, pela inspiração de escrita !! continue assim...

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  3. Nossa. Você já procurou uma editora menino?

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