Os seus olhos são aqueles que expressam cafeína. Sua personalidade lhe prende em um mundo exclusivamente seu. O foco em resolução de crimes o toma por completo, o seu dia a dia é composto por doces e raciocínios constantes. Único e de uma mente brilhante, Lawliet, mais conhecido como L, me desperta fascínio. A sua aparência, o seu modo de ser... É de hábitos estranhos e de um ego enorme e infantil. “Kira é infantil e odeia perder, eu sei disso porque também sou infantil e odeio perder”, disse em sua primeira aparição já iniciada com um “bang”.
Vendo esse personagem, poderia ser dito que é um típico “frio e calculista”. Mas tal afirmação é errônea. Ao contrário, L é de uma intensa sensibilidade. O seu comportamento antissocial é resultado de um desapontamento para com os outros, em excessão de poucos, como Watari ou Light, titulado o ultimo como o seu primeiro amigo. Isso foi dito aos seus 24 anos de idade, idade em que morrera, denunciando uma vida totalmente reclusa. Analisando-o com uma perspectiva realista, seria possível julga-lo próximo de ser um doente mental, ou talvez um. O ser humano é geneticamente social e tal modo de vida lhe traria problemas psicológicos, como por exemplo, a depressão, ou a falta de desenvolvimento de técnicas de socialização. Mas afirmando prontamente, ele é único. Disse no episodio 25, o episodio em que morrera, que “minhas relações com os outros são muito distantes e eu não confio em ninguém”, a justificativa de seu isolamento. Depois de ter resolvido seu primeiro crime ainda quando criança, formou-se então o seu estilo de vida. Watari lhe deu um computador porque isso seria poder para ele. Um quarto exclusivamente seu foi algo que ele particularmente adorou. A riqueza de Watari só existe por causa de uma iniciativa de L de investimentos.
Death Note foi o anime que mais assisti dentre qualquer outro, perdi a conta de quantas vezes o assisti, aparentando até uma obsessão. Mesmo depois de tê-lo completado, sempre que eu podia assistia dois ou três episódios aleatórios, cenas que eu queria ver. Amava todas as falas de Light, L, Near e Mello. O olhar, o comportamento... Toda a atmosfera daquela obra prima me fascinava e ainda fascina. É, de longe, o melhor anime que já assisti por me ter proporcionado muitas emoções incríveis, perdendo apenas para Monster, de Naoki Urasawa, uma outra obra que expressa pura genialidade, de roteiro muito bem desenvolvido, sendo, creio eu, “tecnicamente” superior ao de Death Note, mas só técnicamente. Ainda assim coloco um talvez quanto a isso.
Death Note é diferente dos outros animes/mangás em muitos aspectos. É considerado muito famoso, maesmo não sendo um shonen típico como os outros, de batalhas, amizade, esforço... O autor conseguiu impressionar, admiro isso. É como se ele tivesse o talento singular de artistas do underground, mas conseguindo afetar todos, tornando-se popular por ser demasiado tocante. Mas vou falar especialmente de Lawliet, e quem ainda não leu ou assistiu a série, sugiro que abandone a leitura desse artigo, pois haverá spoilers, é necessário que haja. Não sei se falarei tudo que eu quero, jáque não pretendo escrever um longo artigo. Provavelmente não será possível, então caso gostem, posso continuar minha analise em um outro artigo como uma segunda parte.
Lawliet é o personagem de ficção o qual mais me identifiquei, como também Raskólnikov, do livro Crime e Castigo. Isso não significa que eu sejaliteralmente como ele, é algo mais sutil, embora eu seja um sujeito que exagera nos doce e café assim como ele. Mas não mais, devido a problemas de saúde. Certa vez tomei sete xícaras de café num só dia. Não falarei muito sobe esse ponto por ser muito pessoal, mas quanto a sua frase dita de que possui dificuldades em confiar nas demais pessoas, isso me tocou profundamente.
Vendo Death Note de um ponto analítico, ele é rico em teor psicológico tanto quanto filosófico. O ideal de kira expressa o desejo de muitas pessoas, um clamor por uma sociedade melhor, o que muito interessa o leitor, porém para deixar tuo ainda mais interessante, existe uma questão moral: ele não passa de um assassino. Foi o que disse Near.
Lawliet morreu com 24 anos, faz aniversário no dia de Hallowen, tinha 50kg, odiava meias e amava doces. Esse amor por coes é de caráter cientifico, de caráter neurológico quanto psicológico. Glicose nos dá um rápido prazer, e como L é depressivo, glicose o atrai. Sim, ele é depressivo. É de uma sensibilidade que amo, isso é sutil. Porém como o prazer da comida é de efeito rápido, ele repete sempre o processo, como um vicio. É por essa razão que quando as mulheres estão tristes, se sentem atraídas a comer chocolate, por conta da substancias que é liberada ao cérebro que as proporciona prazer. E há outro fator: quando a glicose é ingerida, serve como uma ótima fonte de energia para o cérebro, porém depois causa um certo cansaço mental, exigindo assim, eu creio, mais glicose para continuar no efeito desejado, o efeito que Lawliet deseja, como também satisfazer o seu particular vicio. Pessoas solitárias tendem a ficar viciadas em coisas mais rapidamente que as demais. Mas sendo realistas, taldieta pode causar problemas de saúde e até levar a morte. Entretanto, L era um gênio. Embora seja ficção, e se ele soubesse manipular perfeitamente sua nutrição? Além do mais, ele não engorda, o que causa inveja a Misa-Misa e que denuncia que ele sabe o que está fazendo.
L era depressivo, claramente por não ser normalmente sociável. Não tinha amigos, senão Watari e posteriormente Light, se é que Light o considerava amigo também, coisa que provavelmente não deva ter acontecido e que, também, talvez L só estivesse mentindo. E não duvido disso, talvez realmente estava, mas a admiração de Lawliet pelas habilidades intelectuais de Light de fato eram reais... Ainda assim, de qualquer forma, não deixava de ser reservado. Pessoas desse tipo sofrem de uma dolorosa solidão opcional, por escolherem não se envolver com outras pessoas que ela, por algum motivo, considere incompatível. E por tal atitudem logo deduzimos que também seja orgulhosa, por preferir o sofrimento o sofrimento do que a socialização, por s e achar até num nível superior. A solidão pode ser proporcionado por um efeito contrário, por a pessoa achar estar num nível inferior, porém tal atitude não é opcional.
Por não ter cometido suicídio, isso demonstra que ainda assim L ama a vida. Isso acontece pelo fato de ser um detetive e isso serve para lhe preencher o vazio, para lhe dar uma responsabilidade, ainda assim um lugar num mundo não tão compatível consigo mesmo, evitando crises existenciais. Aí está o amor pela justiça, uma autoafirmação para satisfazer a necessidade de identidade. “Eu sou a justiça!”
Geralmente, todo gênio paga um preço pela sua genialidade, muitas vezes problemas emocionais. Dostoiévski, por exemplo, é considerado um gênio da literatura russa, porém como ele escreveria realismo e obras de alto teor psicológico e exato, senão passando por tais experiências e consequentemente transformando pensamentos instrospectivos em milhas de seus romances? Fora necessário o sofrimento, foi suas obras resultado de sua vida. Embora não seja o mesmo caso com L, a teoria ainda é a mesma. L teria a mesma mentalidade caso tivesse outra personalidade? Seria ele um exímio detetive se tivesse uma vida social comum, se tivesse sido um adolescente como qualquer outro? Teria ele a mesma motivação para executar a justiça, se não fosse sensível? Se não sofresse por assistir a uma sociedade tão suja? Isso talvez não pareça ter ligação caso o leitor seja de um puro ceticismo, mas para mim faz muito sentido e é como o compreendo e o interpreto.
Lawliet, assim como os demais personagens de Death Note, é de uma complexidade que me desperta interessem tais como também Light, Mello e Near, os quais talvez eu fale depois.
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